De objetos, histórias e poesia

Por Aline Montenegro Magalhães

Foi passeando por Cordisburgo (MG), depois de visitar o Museu Casa Guimarães Rosa, que nos deparamos com uma loja na mesma rua, na verdade Avenida, Avenida Padre João. A fachada, tomada por palavras criadas por Guimarães Rosa, nos atraiu e a quantidade de coisas ali exposta, sem vitrine, chamou a nossa atenção. Perguntei ao “vendedor” quanto custava uma daquelas placas de madeira, pintadas com frases de Guimarães Rosa. Qual não foi o meu espanto em receber por resposta a informação de que a placa não estava à venda. Aliás, nada estava ali para ser vendido. 

Um olhar para o lado e outra placa trazia a mesma resposta com outras palavras: “Não vivo disso, mas não vivo sem isso”.

O “vendedor”, José Osvaldo dos Santos, mais conhecido como seu Brasinha nada tinha de vendedor. Parecia mesmo um colecionador de antiguidades, mas se autodefinia como “objeteiro”, “guardião das coisas do mundo, das pessoas”. Do espanto à admiração. Mais de três horas de conversas, lembranças, poesia e uma infinidade de viagens no tempo e no espaço através dos objetos e das histórias “por eles contadas” pela boca daqueles que por ali passaram.

Foi o melhor souvenir da nossa viagem. Histórias que compartilhamos com amigos, como Vítor Kruter, que foi lá e nos trouxe esse presente, “As coisas da vida ou a vida das coisas”. 

Agora com vocês, o “sertão-mundo-mágico” do “objeteiro” que coleciona histórias e memórias em Cordisburgo, numa loja onde nada se vende, lugar de encontros, onde se troca e compartilha emoções. 

Nosso agradecimento especial ao Coletivo Pitoresco, pelo presente de dois meses ao Exporvisões, e ao diretor e roteirista Vítor Kruter,  pelo olhar atento e sensível que vai além das lentes e telas.

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6 comentários Deixe um comentário

  1. Esse “objeteiro” (colecionador de objetos) é na verdade um colecionador de historias e emoções (seria ele um “historeiro”? ou até um “emocioneiro”? )!
    Em tempos de capitalismo, encontrar pessoas que seguem o fluxo contra-hegemônico, nos leva a reflexão sobre o que desejamos em nossa caminhada de mundo; sobre como as “convenções” engessam e padronizam a visão das coisas.
    A vida nos surpreende com atitudes “sem intenção”, mas que servem, mesmo que de forma simples, ao mesmo propósito das “vias tradicionais” de se preservar e propagar a história, memória e evolução humana.
    Parabéns pelo texto e pelo compartilhamento dessa vivência.

    • Olá André Silveira,
      Muito obrigada por suas adoráveis palavras sobre nossa postagem. Você tem toda razão. Realmente é um bálsamo conhecer histórias como a do Seu Brasinha. Acalma o coração e nos enche de esperança na humanidade. E retornos como o seu, nos alegram e dão força para continuarmos a compartilhar nossas miradas afetivas para experiências como essa. Um forte abraço!

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