Sobre sonhos que sonhamos juntos num museu centenário

por Aline Montenegro Magalhães

Assumi a direção do Museu Histórico Nacional, como substituta, no dia 9 de fevereiro. Poucos dias depois, na primeira reunião de equipe, decidimos fazer uma exposição em homenagem ao museu que completará seu primeiro centenário em outubro deste ano. O que tínhamos? Uma ideia, muita disposição e pouquíssimo tempo, pois ali mesmo ficou acertado que a inauguração da mostra seria no Dia Internacional de Museus, 18 de maio.

Estávamos desgastados e desanimados por um período pandêmico e pandemônico, que inviabilizou uma série de projetos e muitas ações. Mas a esperança e o desafio de realização de uma curadoria coletiva da equipe técnica do MHN, foi a motivação para que a ideia saísse do papel e começasse a tomar forma.

Reuniões semanais, trocas infinitas de mensagens no Whatsapp, listas e mais listas de objetos, produção de pesquisa e textos, noites viradas acertando detalhes, produzindo legendas… Convergências e divergências, paciência e teimosia, idas e vindas… E o relógio inclemente parecia acelerar a ciranda de seus ponteiros… Entra isso, sai aquilo. Não tem espaço na vitrine. Não tem recursos para fazer isso. O texto está grande. Não fala mais em colocar acervo…

Foi nessa toada que CONSEGUIMOS realizar a exposição Rio 1922, que foi inaugurada no dia 18 de maio, no Museu Histórico Nacional. Nessa pisada, a equipe se uniu e reuniu todos os esforços para fazer acontecer essa homenagem ao Museu centenário e dele, à cidade do Rio de Janeiro de quando o Brasil fazia cem anos de país independente. Nessa pegada, um baile de competência, comprometimento, expertise e afeto tornou realidade um sonho.

Rio 1922 é uma exposição pequena e acolhedora. Com suas cores suaves, conta histórias da cidade pelas lentes do Museu Histórico Nacional, ou seja, a partir do acervo que essa instituição coletou e preservou ao longo de sua trajetória, em diálogo com obras do Museu Nacional de Belas Artes e do Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro.

Em quatro módulos passeamos pelo Rio de Janeiro do desmonte do Morro do Castelo, das reformas urbanas de embelezamento e modernização, através de fotografias e pinturas desse marco da história da cidade. Imaginamos a efervescência da capital de uma República ainda claudicante e que estava sendo confrontada de diversas formas em seu projeto político excludente e muito longe do que foi imaginado por aqueles que apoiaram a mudança de regime em 1889. Crise política e financeira em um ambiente marcado por inovações tecnológicas e movimentos culturais que contribuíram para a construção da ideia de brasilidade, como a música de Villa Lobos, a arte de Di Cavalcanti e as composições de Pixinguinha.

A Exposição Internacional Comemorativa do Centenário da Independência é tema do terceiro módulo. Apresenta objetos e imagens do evento que procurou mostrar os progressos do país que desejava integrar o concerto das nações desenvolvidas. Como foi durante essa exposição que o Museu Histórico Nacional foi criado, ocupando duas salas do Pavilhão das Grandes Indústrias instalado no antigo complexo militar do Calabouço, a exposição se encerra com o MHN e sua história.

Dois vídeos sobre a Exposição do Centenário e a paisagem sonora daquele ano contribuem para enriquecer a abordagem sobre o Rio de 1922, com movimento e cadência.

Recomendo fortemente a visita e dedico essas linhas a toda equipe do MHN, que mostrou ser possível materializar um sonho em tão pouco tempo, superando as adversidades e os contratempos.

P.S. Aguardem que vem mais por aí sobre sonhos realizados na Semana de Museus do MHN.

 

Arte de divulgação da exposição “Rio-1922”, do Museu Histórico Nacional.

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