Categoria: Janelas

Entre vandalismo e patrimônio

As atividades de uma equipe de educação museal junto ao patrimônio permitem reconhecer as diferentes versões, registrar e expor para debate. Se o patrimônio está preservado em museus, é possível ter um trabalho continuado sobre sua importância para os visitantes e decidir sobre sua permanência no acervo ou o seu descarte. Mas se o patrimônio está nas ruas, no espaço comum, não se tem a dimensão do que ele significa e seu impacto nas pessoas que interagem com ele. Como o significado de preservação e de vandalismo são inquestionáveis no espaço público, não é possível acompanhar as interpretações sobre o patrimônio ao longo do tempo. Não havendo espaço de debate e possibilidade de descarte, seria o caso de entendermos alguns atos de vandalismo como contestação do patrimônio e do imperativo da preservação? É passível de investigação? Seriam casos de criminalização?

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Derrubar, ressignificar, redimensionar, tutelar e não apagar jamais.

No meio de todo este turbilhão ouvi muitas vezes a palavra ressignificação e resolvi ficar com ela, na falta de uma opinião bem fundamentada, que me permitisse tomar partido nesta “ciranda das estátuas”. Por sinal, e apesar de todas as minhas críticas à sociedade italiana (e são muitas), tutelar, proteger, ressignificar... Talvez poucos países façam tão bem quanto a Itália.

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Estátuas em transe: iconoclasmo e assimetrias na produção da história

As cenas da estatua derrubada em Bristol percorreram o mundo, talvez com intensidade semelhante a do assassinato brutal de George Floyd. Edward Colston já não respirava, George Floyd já não respira. Um suspirou para a eternidade, em 1721, revivendo no bronze em 1895, quando a lembrança de seus atos como mercador de escravos não suplantavam a imagem de filantropo. O outro foi sufocado em 2020, quando as imagens da violência racial não cessam de se repetir, provando a força persistente de uma história que não passa apesar de todos os movimentos anti-racistas de ontem e de hoje. Na controvérsia aberta sobre a iconoclastia em curso, houve quem desqualificasse os atos contra os monumentos como gestos violentos. Sejamos honestos, uma estátua não é violentada - esse não é um qualificativo que se aplique ao bronze como se fosse carne.

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